Começou ontem mais uma edição do que insistem em chamar de Gauchão. Mas para mim fica mais adequado chamar de “gauchinho”: tiro curto, importância relativa e utilidade quase experimental. Um campeonato que serve menos para medir grandeza e mais para confirmar hierarquias já conhecidas. Assisti ao primeiro tempo do Grêmio.

Foi lento, arrastado, sonolento um futebol em marcha reduzida, como quem cumpre tabela sem muita convicção. A minha decisão: dormir. Acordei com o placar elástico, 4×0 sobre o Avenida, aquele resultado clássico que tranquiliza sem informar. Vitória que não empolga, mas cumpre função. O Grêmio fez o que se espera dele nesse contexto: impôs camisa, explorou a fragilidade alheia e venceu sem sustos. Nada além do roteiro. O “gaúchinho” é generoso com quem tem elenco, folha salarial e história. A pergunta que realmente importa, porém, não cabe no placar: o que este Grêmio projeta para 2026?
O estadual, como de costume, oferece pouco material para respostas consistentes. Ele ilude, protege e adia diagnósticos. Serve para ajustar peças, observar jovens e vender a sensação de normalidade. O problema é que a temporada não se resume a janeiro. Quando o nível sobe, o espaço diminui e o calendário aperta, o Grêmio costuma ser cobrado por algo que o gaúchinho nunca exige: intensidade, repertório e constância .Por enquanto, venceu. E, no estadual, isso basta. O resto — como sempre — fica para depois.
Pancho Rivas.