Era um dia lindo de sol, desses em que o céu veste o mesmo azul do Grêmio. E foi nesse dia que realizei o maior sonho da minha sobrinha querida: ir a um GreNal. Ela sempre falava disso com a pureza de quem guarda um desejo no coração desde cedo. E eu sabia o quanto significava para ela.
Quando chegamos ao estádio, senti que algo especial aconteceria. Os portões pareciam se abrir também dentro de nós. Cada canto da torcida, cada bandeira tremulando, cada camisa azul, preta e branca fazia os olhos dela brilharem ainda mais. E que olhos… azuis como o Grêmio, azuis como aquele céu inteiro.

O resultado do jogo pouco importou. Na verdade, nunca importou. O que realmente valeu foi ver a felicidade dela ao meu lado. Ver aquele sorriso que iluminava tudo, como se ela tivesse encontrado ali um pedaço de eternidade. Naquele momento, senti que tinha dado a ela algo que o tempo jamais poderia tirar.
Minha sobrinha faleceu jovem, com apenas 42 anos. Uma partida cedo demais, dessas que a gente nunca entende. Mas o dia daquele GreNal ficou guardado em mim como um tesouro — uma lembrança que carrego como quem segura algo sagrado.
Cada vez que o Grêmio entrar em campo, que o hino ecoa, que o azul toma conta da arquibancada, eu lembrarei dela. Lembrarei daquele sol, daquele sonho realizado, daquele brilho nos olhos. E sei, no fundo do peito, que ela ainda estará ali comigo, naquele mesmo azul que nunca chora.
Baita texto. Tive a felicidade de estar junto nesse dia.
Todo o meu carinho ao Pancho.