Avisa lá! Pastéis de Belém são tradição

Receita centenária, forno certo, ponto exato.
Quem entra sem respeitar o ritual, erra.

Grenal é a mesma coisa.
Ontem, no Beira-Rio, o Grêmio entrou como turista. Achou que bastava provar um pedaço, tirar uma foto e seguir adiante.

Começou bem, fez o gol cedo e acreditou que o clássico estava resolvido.

Como quem morde o pastel ainda quente e acha que já viveu a experiência completa.

Não viveu.
Faltou respeito ao tempo do jogo, à temperatura do j9go, à concentração que um Grenal exige. O Grêmio esfriou, murchou. Velhos problemas voltaram à mesa: marcação frouxa, construção lenta, leitura errada do que estava sendo servido em campo.

Do outro lado, o Inter conhecia a receita. Sabia que clássico não se joga, se cozinha. Com fogo alto, pressão constante e fome de vitória. Engoliu o Grêmio sem pedir água.
Foi a superação contra o comodismo.

O 4×2 foi pouco diante do domínio colorado. Não foi acaso. O treinador uruguaio sabe muito bem o que é um clássico. Peñarol x Nacional não permite distração — assim como Grenal não aceita desatenção.

E Luís Castro? Alguém avisou a ele que Grenal não é degustação? Não é teste de elenco, não é jogo comum de temporada.

Grenal é prato principal, servido quente, com faca, garfo e sangue nos olhos.

Gosto muito de Pastéis de Belém.
Mas ontem, para o Grêmio, estavam frios, murchos e sem consistência.

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