35 ANOS SEM JOÃO SALDANHA, O GAÚCHO SEM MEDO

Natural de Alegrete, o gaúcho João Saldanha (1917-1990) foi uma das figuras mais controversas do seu tempo, numa das épocas mais problemáticas da politica sul-americana. Exaltado e aclamado por intelectuais dos diferentes quadrantes ideológicos e políticos, como Nelson Rodrigues, foi apelidado de “João Sem Medo”.

A sua carreira como jornalista, treinador e militante do PCB (Partido Comunista Brasileiro) sempre foram carregadas de polêmica. Apesar de sua pouca experiência como treinador, em 1957 liderou o Botafogo na conquista do campeonato estadual carioca. No ano seguinte, os pupilos de Saldanha, participaram de um torneio organizado em Porto Alegre para celebrar os 49 anos do Internacional, e foram goleados pela equipe do G.E Renner, extinto clube do 4º Distrito, por 3 a 0, no Estádio dos Eucaliptos.

Durante o período da Ditadura Militar (1965-1985), continuou a militar ativamente no PCB. Encarregado de levar o “escrete” ao Mundial de 70, no México, entrou em litígio com o governo de Médici declarando: “nem eu escalo ministério, nem presidente escala time.”

Depois de muitas controvérsias com jogadores e políticos, foi demitido da seleção brasileira. Foi substituído por Mário Zagallo, que acabaria por conquistar o máximo troféu mundial. Saldanha faleceu no dia 12 de julho de 1990 durante a cobertura da Copa do Mundo, em Roma, na Itália, vítima de complicações respiratórias em razão do tabagismo. Ele atuava como comentarista esportivo na saudosa TV Manchete.

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