O Carnaval de Veneza é muito tradicional, onde mascarados desfilam no período de inverno do hemisfério norte, com roupas lindas ao som de músicas clássicas, com movimentos lentos e repetitivos, cheio de rapapés e reverências, onde no final as melhores máscaras são premiadas.

Assim é o futebol apresentado pelo Grêmio nesse começo de 2026, um clube tradicional, com o uniforme mais lindo do mundo, jogando cadenciado, cheio de mesuras e movimentos repetidos, sem buscar um molejo, um ziriguidum, uma vitória no um contra um; normalmente é pegar a bola e passa-la para trás. E no dia seguinte, vemos nas redes sociais, jogadores, como se num mundo paralelo, escondidos pelas máscaras, postando imagens deles mesmos como se tivessem ganho a partida,

O empate contra o Juventude foi mais um desses desfiles sem emoção, sem criatividade, num ritmo que não é mais aceito no futebol de competição atual. Um time desconexo que continua permitindo que o adversário entre como quer na sua área.

E o que é pior, parece que nosso maestro, nosso mestre de bateria, cansou e quando viu que o nosso lateral direito desafinou e permitiu o gol do Juventude, imediatamente o substituiu, o que convenhamos, não é usual quando um jogador falha ser retirado no lance seguinte de campo, para ser vaiado por todo estádio. Estaria o Luís Castro mandando uma mensagem? Se sim, para quem? Estaria ele comprando briga com líderes do elenco? Não sei, mas que foi estranho, isso foi.
O que vejo é que nos quesitos harmonia, enredo, evolução e samba enredo o Grêmio está atravessando o samba, e meu temor é que a direção não aja imediatamente para evitar que a gôndola afunde.

Fernando Junqueira nasceu num 10 de março de 1967 e no dia 12 de março o Grêmio estava em campo contra o Santos de Pelé no Olímpico. Conta a história da família que o pai estava ao lado do berço do bebê Fernando, com um rádio (daqueles grandes da época), que se colocava no ouvido e gritou muito alto quando o Alcindo fez o nosso gol e que nesse momento Fernando levantou os dois braços e chorou de emoção e desde então nunca mais parou de se emocionar com as cores preto, azul e branco.
É palestrante e consultor de empresas, diretor da Fernando Junqueira Desenvolvimento Empresarial e autor dos livros: AVENTURAS IMORTAIS I e II e também do O que fazer para RH dar lucro.