Se houve um frontman no ‘mainstream’ do rock que subverteu por completo qualquer convenção, qualquer concepção ou estereótipo do que significa ‘cantar bem’, este foi Mr. John Michael ‘Ozzy’ Osbourne.
Assim sendo, falar em ‘cantar bem’ de certo modo significa ir totalmente de encontro à essência do espírito ozzyano. Até porque o saudoso Madman foi aquele tipo de vocal que não era propriamente um cantor, mas sim um INTÉRPRETE, no sentido mais pura e legitimamente teatral que o termo possa assumir.
Muita gente não sabe, mas Osbourne possui uma forte ligação quando esteve em Porto Alegre com o futebol, a dupla Grenal e até com o São José. O músico se apresentou quatro vezes na Capital dos Gaúchos (2011, 2013, 2015 e 2016). Em 2013, o Black Sabbath anunciou seu retorno com Ozzy nos vocais e anunciou que a turnê de “Reunion” passaria por POA em 9 de outubro. No primeiro dia da venda dos ingressos corri e garanti a minha entrada numa fila imensa numa loja de discos na Rua da Praia. Era a oportunidade de ver o Ozzy ao lado de Tony Iommi e Geezer Butler. O repertório não deixou de fora grandes clássicos como “Iron Man”, “War Pigs” e “Paranoid” e ainda a surpreendente “It’s Alright” para delírio dos 30 mil fãs presentes no estacionamento da Fiergs.
Quando Ozzy esteve em 2011 no Gigantinho, que pertence ao Inter nas cercanias do Beira-Rio, Ozzy posou com a bandeira do Grêmio atirada do palco por um fã. Também tive a oportunidade de assistir ao show de Ozzy em 2015 no Monster Tour que passou pelo estádio do Zequinha, ao lado de Judas Priest e o Motorhead sob o comando de Lemmy Kilmister que faleceu semanas depois. Foi sua segunda apresentação solo em POA.
Pouco antes morrer, teve uma despedida épica no dia 5 de julho, onde recebeu todas as glórias em vida num estádio lotado do Aston Villa (clube de futebol do seu coração e de sua cidade natal) gritando o nome dele…
Para aqueles da paranóica ideia do “parar no auge”, Ozzy deu uma aula sobre o que é a arte – inclusive do futebol. Os mitos são eternos justamente pela recusa em parar no auge: Maradona insistiu até o fim e sua imagem louco de tudo na Copa de 94 é eterna. Coincidentemente uma semana depois da despedida de Ozzy, o Inter voltava aos palcos do Beira-Rio com duas vitórias no Gigante, com o mesmo futebol agônico antes da parada do Mundial de Clubes.
Na véspera de Inter e Santos (2 a 1) na Vila Belmiro, Ozzy ascendeu ao Panteão. Na noite seguinte, Alan Patrick orquestrou a terceira vitória seguida no torneio brasileiro, a primeira fora de casa. Enquanto isso o “barco” afundava na Vila Farrapos. A partida do Príncipe das Trevas deu sequência à ressurreição colorada? Só o tempo dirá! Para celebrar a recuperação na tabela do Brasileirão, hoje é o dia de zerar sua discografia.
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