O Grêmio no jogo contra o Bolivar nesta quinta trouxe um resultado que mantém ele vivo na competição e confesso, eu não esperava por isso.
Quem já esteve em La Paz, e eu estive na vitória de 1983, com aquele gol do China, sabe que o que se pratica naquela altitude é qualquer outra coisa, menos futebol. Eu esperava que o Grêmio, pela falta de vontade e organização que vem mostrando ao nível do mar, voltasse da Bolívia eliminado.

Mas não, voltamos vivos da partida que fizemos este ano mais próxima da lua que qualquer outra que faremos, assim como poderíamos ter voltado com a vitória, pois também, dentro da ruindade do adversário, tivemos boas oportunidades.
Algumas constatações ficaram ainda mais evidentes, como por exemplo o Pavon, que mostrou ser incompetente no nível do mar e no alto da montanha, que baile vergonhoso ele tomou do atacante do time boliviano, foi humilhado nos 2 primeiros gols e não acompanhou o atacante no terceiro.
Temos um baita goleiro, e só por causa dele voltamos vivos, apesar de ter errado o tempo de bola no terceiro gol, mas lá, a quase 4000 metros, a bola fica completamente fora do padrão normal.
Villasanti, que trabalho de formiguinha faz este atleta, hoje chamam de “box to box”, eu chamo de “todo campista”, pois está em todas as partes da cancha, que baita acréscimo a volta dele.
Teve um momento do jogo que parecia que o Grêmio corria mais no alto do que quando joga na Arena, porém com a mesma bagunça tática de um time que não tem técnico, e, por razão de saúde, realmente não estava lá (e isso eu acho um absurdo criticar).
Desde que fui a La Paz em 83 digo sempre, todo a pessoa que vive a paixão por esse esporte e principalmente pelo seu time, tem que, uma vez na vida, ir ver um jogo em La Paz para entender a diferença entre jogar e sofrer o futebol, lá não se joga, lá se sofre.
E hoje, apesar da altitude, apesar do ar rarefeito, apesar do Pavon, apesar da caricatura de equipe que o técnico montou esse ano, o Grêmio sofreu futebol e conseguiu trazer um resultado aceitável e que deverá ser facilmente superado no jogo de volta.
Meu medo agora é o jogo contra o Fluminense, na Arena, com altitude de 5 metros acima do nível do mar.
Ah, para quem não conhece La Paz, lá tem uma região, que fica a 10 km do centro da cidade, que se chama: Vale de La Luna (Vale da Lua), e não se joga futebol na Lua.

Fernando Junqueira nasceu num 10 de março de 1967 e no dia 12 de março o Grêmio estava em campo contra o Santos de Pelé no Olímpico. Conta a história da família que o pai estava ao lado do berço do bebê Fernando, com um rádio (daqueles grandes da época), que se colocava no ouvido e gritou muito alto quando o Alcindo fez o nosso gol e que nesse momento Fernando levantou os dois braços e chorou de emoção e desde então nunca mais parou de se emocionar com as cores preto, azul e branco.
É palestrante e consultor de empresas, diretor da Fernando Junqueira Desenvolvimento Empresarial e autor dos livros: AVENTURAS IMORTAIS I e II e também do O que fazer para RH dar lucro.