Coluna| O Efeito Renato

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Os jogadores de hoje não têm identificação com o clube mais, são totalmente profissionais, jogam pelo salário depositado no 5º dia útil.

E assim íamos vendo o time sem alma do Grêmio jogando sob o comando do “moderno”, “atualizado”, “valorizado” e enrolão (sem aspas) Luís Castro.

Podemos falar o que quisermos do Renato, que é folclórico, que é autorreferente, que é um pavão, que toma conta de coisas além do que devia(as vezes no Grêmio é preciso que alguém faça isso), que diz bobagens e que tem posicionamentos pessoais deploráveis, mas jamais podemos dizer que ele não sabe o que fazer num vestiário ou na forma de se comunicar com os jogadores.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Depois do que ele falou após o jogo do Cruzeiro, onde perdemos, muitos que nunca chutaram uma bola, que nunca sentiram a alegria ou a tristeza de um vestiário após uma conquista ou uma derrota (mesmo que na várzea). Que nunca estiveram neste sagrado ambiente onde se misturam o aroma de Gelol, o odor das velas colocadas para os santos e o cheiro de suor depois de uma partida, disseram que ele tinha implodido o grupo…Pobres criaturas criadas pela avó jogando bolita no tapete da sala e tomando Toddynho, ou como diz o Renato: “Cornetinhas de ar condicionado”.

Quem viu a reação dos jogadores após o jogo contra o Coritiba, alguns chorando, quem viu o jogo de ontem contra o Atlético com H, sabe que o vestiário é dele, e que os jogadores estão com ele.

Depois do jogo contra o Coritiba, os jogadores não voltaram para casa, ficaram em regime de concentração (Imaginem no futebol profissional atual manter os jogadores confinados, que coisa mais antiga).

Pois é…

Mas enfim…

Quanto ao time em campo, já vemos um bom sistema defensivo se formando, o Grêmio dá a bola para o adversário, até porque não sabe o que fazer com ela ainda, e espera recuperá-la para sair em velocidade para o contra-ataque. Já vemos que está treinando bola parada (boa parte dos gols tem saído de bola parada) e, por último, que está correndo mais e melhor, não morrendo no 2º tempo.

Se dará tempo para salvar, ainda não sei, mas o que sei é que, desde 2010, quando o Grêmio corre algum risco e quando a direção quer esconder seus erros, chamam o Renato, e o Grêmio Renasce.

A cada vez estão chamando-o mais tarde, até porque ele realmente toma conta do Grêmio e expõe a fragilidade dos dirigentes, se preciso for.

Se eu quero que o Renato continue no ano que vem se salvar o Grêmio? Ainda não temos que falar sobre isto, o foco é ficar na série A, mas o que eu realmente queria é que o Grêmio tivesse dirigentes que pensassem no clube como o Renato faz.

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