O jogo Palestino x Grêmio foi, sem dúvida, uma homenagem a literatura chilena.
A obra prima de Isabel Allende, “A Casa dos Espíritos”, publicada em 1982, é considerado um dos livros mais importantes do “realismo mágico” na América Latina.
No envolvente enredo do livro o cotidiano se mistura com o sobrenatural.
O Grêmio entrou bem em campo, colocando o Willian no lugar do Amuzu, de alguma maneira desmontou o famigerado 4 3 3 (pois o Willian não fica preso na esquerda) e caminhou para um 4 4 2.
O começo do jogo mostrava uma partida que se encaminhava para uma vitória do Tricolor, até que o Tetê, que mais uma vez não conseguiu ganhar uma jogada no um contra um, sofreu um pênalti bizarro do zagueiro do Palestino. Ai, o tal do “Sobrenatural de Almeida”, termo criado pelo fantástico dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues para definir as coisas sem explicações que ocorrem no futebol, entrou em cena.

Nosso goleador, o cara que precisa de meia bola na área para marcar, que vem sendo alimentado por cruzamentos do Pavon e balões do Weverton o campeonato brasileiro inteiro e mesmo assim é um dos goleadores, pega a bola e coloca na marca do pênalti e, erra 3 vezes a cobrança.
Depois desse lance o Grêmio, como preso aos fantasmas das atuações passadas, não fez mais nada em campo.
Foi mais um jogo assustador da equipe e para completar, o mesmo Carlos Vinicius fez um gol no final do segundo tempo, mas uma voz do além foi ao ouvido do juiz e disse que enxergou um toque paranormal na mão do Riquelme e anulou o gol, fazendo um jogo que começou com toda a cara de que teríamos a 1ª vitória fora de casa num 0x0.
Como dizia Pablo Neruda, em um dos seus mais lindos poemas: “Não procuramos o mistério, somos o mistério”. A cada jogo do Grêmio, cada vez mais acredito nisto.
“No creo en las brujas, pero que las hay, las hay”

Fernando Junqueira nasceu num 10 de março de 1967 e no dia 12 de março o Grêmio estava em campo contra o Santos de Pelé no Olímpico. Conta a história da família que o pai estava ao lado do berço do bebê Fernando, com um rádio (daqueles grandes da época), que se colocava no ouvido e gritou muito alto quando o Alcindo fez o nosso gol e que nesse momento Fernando levantou os dois braços e chorou de emoção e desde então nunca mais parou de se emocionar com as cores preto, azul e branco.
É palestrante e consultor de empresas, diretor da Fernando Junqueira Desenvolvimento Empresarial e autor dos livros: AVENTURAS IMORTAIS I e II e também do O que fazer para RH dar lucro.