A Padre Cacique virou o Caminho da Melancolia

O caminho de volta para casa nunca foi tão longo. Para o torcedor colorado, atravessar a Avenida Padre Cacique após mais uma derrota no Gigante tornou-se um exercício de masoquismo. O sol se põe no Guaíba, mas a luz parece ter se apagado para o Internacional faz tempo. Ontem, após mais um revés inexplicável adjetivo este, aliás, que virou o bordão de Paulo Pezzolano , o silêncio que restou nas arquibancadas não era de paz, mas de uma indignação que já ultrapassou o grito e se transformou em fadiga.

Foto: Esporte News Mundo

Pezzolano lamenta. Fala em “pior campanha como mandante”. Diz que é “inexplicável”. Mas o torcedor, cansado de retórica, sabe que há, sim, uma explicação. E ela não está apenas no esquema tático ou na pontaria dos atacantes. A explicação atende pelo nome de uma gestão que transformou o Internacional em um laboratório de promessas não cumpridas e apequenamento sistemático.

Sob a batuta de Alessandro Barcellos, o Inter parece ter esquecido como se ganha dentro de casa. O Beira-Rio, que outrora era o terror de qualquer visitante, tornou-se um território neutro, quase hospitaleiro para os adversários. A cada entrevista coletiva, o presidente apresenta planilhas e justificativas, mas o que o campo devolve é a imagem de um clube sem alma, sem rumo e, pior, sem o respeito que sua história exige.

A gestão Barcellos vai, tijolo por tijolo, construindo uma muralha entre o time e a glória. O que vemos é uma depreciação contínua. É o valor da camisa que cai, é o sócio que desiste, é a mística que se esvai. O clube vive em um eterno “ano de transição” que nunca chega a lugar nenhum, a não ser ao fundo de uma tabela que nos assusta e nos envergonha.

Dizer que a situação é “inexplicável” é um insulto à inteligência de quem paga ingresso. É explicável, sim: é fruto de uma arrogância administrativa que ignora o futebol em prol de uma política interna que faliu. O Inter está sendo apequenado por quem deveria protegê-lo.

Enquanto Pezzolano busca respostas no teto da sala de imprensa e Barcellos se agarra ao cargo como se os números fiscais pudessem entrar em campo e fazer um gol, o torcedor chora. Não apenas pela derrota de hoje, mas pela agonia de ver o gigante que tanto ama ser reduzido a um coadjuvante melancólico em sua própria casa. O Internacional é grande demais para ser gerido com tamanha mediocridade. Até quando o “inexplicável” será a única explicação oferecida a quem nunca abandonou o clube?

Deixe um comentário