O Grêmio está perto de perder mais uma das principais joias formadas na sua base. A negociação de Gabriel Mec com o Porto está encaminhada e, pelos 80% dos direitos econômicos que pertencem ao clube, o Tricolor deve receber € 8 milhões, cerca de R$ 48 milhões.
O problema é que, olhando para a forma como a direção administra o dinheiro do clube, fica difícil comemorar.
Gabriel Mec já despertou cifras muito maiores no mercado europeu. Aos 16 anos, esteve envolvido em uma negociação com o Chelsea que poderia chegar a € 24 milhões, cerca de R$ 150 milhões na época. Depois, o Shakhtar também apresentou propostas superiores à atual. Nem todos esses negócios deixaram de acontecer por responsabilidade do Grêmio, é verdade.
Mas a desvalorização recente de Mec aconteceu dentro do Grêmio. E sob responsabilidade da atual gestão.
Enquanto uma joia de 18 anos perdia espaço com Luís Castro, a direção de Odorico Roman abria os cofres para contratar Nardoni, Tetê, Leonel Pérez e José Enamorado. Foram dezenas de milhões de reais investidos em jogadores que, até aqui, estão muito longe de entregar em campo aquilo que custaram.
E aí está uma das maiores contradições dessa gestão: o Grêmio gasta uma fortuna no mercado, vê boa parte das apostas não dar retorno e depois precisa recorrer justamente à base para colocar dinheiro no caixa.
É um ciclo perverso para um clube endividado.
Gasta mal para contratar. Fica sem dinheiro para o básico. E depois vende suas maiores joias pressionado pela necessidade de fazer caixa.
Gabriel Mec tem apenas 18 anos. Em vez de ser tratado como patrimônio a ser desenvolvido e valorizado, perdeu espaço. Agora está perto de sair por € 8 milhões, cerca de R$ 48 milhões, um valor muito abaixo das cifras que seu potencial já despertou na Europa.
Não significa que € 8 milhões sejam troco. Significa que o Grêmio não pode se dar ao luxo de torrar milhões em contratações que não resolvem o time e depois aceitar pechincha pelos jogadores que forma em casa.
Essa conta precisa chegar à mesa de Odorico Roman.
Porque administrar um clube quebrado não é apenas conseguir dinheiro.
É saber onde gastar cada real para não precisar vender o futuro para pagar pelos erros do presente.