Renato enaltece apoio de torcedores gremistas no mundial: “Um dia eu volto”

Com a melhor campanha de um clube brasileiro no Mundial de Clubes à frente do Fluminense, o técnico Renato Portaluppi concedeu uma entrevista para Rodrigo Oliveira, no GZH, falando sobre a campanha da equipe na competição. Fazendo história nos EUA, o ex-treinador do Grêmio irá encarar o Chelsea, amanhã ás 16h, pela semifinal do torneio. Para o comandante da casamata do tricolor carioca, o Brasil produz muitos jogadores de qualidade, porém, agora está mostrando que também sabem estudar os adversários na parte tática.

“O futebol brasileiro sempre exportou grandes craques, atacantes. E hoje nós estamos mostrando que também sabemos fazer a parte defensiva e sabemos trabalhar a parte tática para neutralizar grandes clubes do futebol europeu. Foi dessa forma que eu pensei e estudei como enfrentar o Borussia e a Inter de Milão. Os esquemas que coloquei em campo deram certo, apesar do pouco tempo de treinamento. Foi assim também no último jogo contra o Al-Hilal. Agora, a gente está pensando em como enfrentar o Chelsea Estudei bem a maneira como eles jogam e vou tentar armar um esquema para criar dificuldades para eles e conseguirmos nosso objetivo, que é chegar na final. Sabemos que não é nada fácil. Mais um compromisso difícil contra uma grande equipe, muito bem treinada. Mas o Fluminense vem chegando. Já enfrentamos grandes adversários, passamos, e agora temos mais esse desafio pela frente: o Chelsea”, disse.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Renato ressalta importância do futebol brasileiro

Embora o futebol brasileiro ainda esteja muito atrás no que se refere aos valores em relação aos europeus para buscar reforços, o técnico Renato Portaluppi sublinhou que sempre equilibramos as distâncias financeiras revelando jogadores nas categorias de base. De acordo com o treinador, os clubes tupiniquins podem confrontar os times do velho continente, apesar dos contrastes.

“Pode ter certeza de que os europeus também aprendem com a gente. A grande vantagem deles, é o grupo que eles têm e o dinheiro que eles têm. Eles montam e desmontam seus times praticamente como uma seleção, contratam os melhores jogadores. Isso facilita demais.  Lá no Brasil, a gente não tem esse dinheiro todo. Mesmo assim, estamos mostrando nesse Mundial que o futebol brasileiro merece respeito. O Fluminense está aqui entre os quatro melhores, mas até pouco tempo atrás o Palmeiras, o Botafogo, o Flamengo também estavam fazendo uma grande Copa. Mesmo sem os cofres cheios, os clubes brasileiros estão mostrando seu valor”, afirmou.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Renato agradece torcida gremista no Mundial de Clubes

Questionado sobre como avalia o trabalho no Grêmio ano passado, o técnico Renato Portaluppi revelou que o desgaste foi o principal fator que o levou a sair do clube. Segundo o ex-treinador do tricolor gaúcho, era necessário um tempo para descansar. No entanto, enfatizou o carinho que nutre pelo torcedor gremista.

“Acho que sim. Eu havia falado para o presidente Guerra antes mesmo de acabar o Brasileiro: ‘Olha, eu garanto que o Grêmio não vai cair. Mas no final do ano eu vou embora’. Eu precisava descansar, trocar de ares. E tive vários clubes grandes que me procuraram: Vasco, Santos, Corinthians, Cruzeiro. Mas eu queria férias. Curti minhas férias, depois voltei ao Fluminense. Sempre serei grato ao Grêmio e à torcida. Muitos torcedores do Grêmio estão nessa Copa do Mundo com a camisa do Grêmio. Tenho visto, reconhecido, apontado pra eles do campo. Outro dia mesmo vi um torcedor sozinho, no terceiro anel, com a camisa do Grêmio. Apontei pra ele. E no jogo contra a Inter também, muitos gremistas nas arquibancadas. Recebo milhares de mensagens do Rio Grande do Sul. Isso me deixa muito feliz. Sei que a torcida do Grêmio torce por mim, da mesma forma que eu tenho um carinho imenso por eles. Eu falei que queria sair, e era o momento de descansar“, sublinhou.

Luiz ávila/ Agencia RBS

Renato reconhece excessos nas entrevistas coletivas

Embora as críticas ao seu trabalho no Grêmio muitas vezes tenha excedido o tom, Portaluppi admitiu que também exagerou nas entrevistas coletivas. No entanto, o ex-técnico gremista ressaltou que as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul foram fatores determinante para a má campanha do clube na temporada passada.

“Um dia eu volto. Quem sabe um dia eu volto? Mas, naquele momento, estava tudo muito desgastado. Muita gente não entendia, e às vezes eu me expressei mal, fiquei um pouco nervoso nas coletivas. A pressão era muito grande. Tivemos enchente, jogamos fora da Arena. E tinha gente que queria minha saída, não vou citar nomes. Mas o torcedor do Grêmio não é burro. Ele sabe quem são.  Quando falei que queria ver alguém fazer 50% do que eu fiz, é porque eu sabia da minha importância. Eu fazia parte de todos os setores do clube. Continuo torcendo. O Mano e o Felipão estão por lá, e o Grêmio vai voltar forte. Meu carinho pela torcida é eterno. E vida que segue. Daqui a pouco voltamos pro Brasil, e a gente se encontra por lá”, declarou.

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